Integração Regional

Um século de políticas liberais e neoliberais na América Latina foi mais que suficiente para aflorar uma sucessão de indicadores que expõem debilidades sociais, políticas e econômicas. Uma região expropriada pela lógica do capital internacional e pela redundante substituição de governos comprometidos em manter o status quo, a América-Latina ainda não se constituiu como uma das principais referências na política internacional. Esforços por cooperação e integração econômica têm uma longa tradição no subcontinente, entretanto as diversas tentativas de integração das últimas décadas têm sido sucesso limitado.
A guinada política à esquerda presenciada nessa região após o ano 2000 trouxe ao poder partidos com intenções de unificar crescimento e inclusão social - além de enfatizar temas como integração continental, relações Sul-Sul e o multilateralismo - e deu a nova autoestima. Após anos de estagnação, avanços importantes na integração econômica e política do MERCOSUL puderam ser alcançados.
Com a entrada em vigor da tarifa externa comum acordada em 2010, o MERCOSUL passou a ter os requisitos necessários a uma união aduaneira operante. Os primeiros passos de uma integração política aprofundada se deixam perceber em campos políticos específicos, como o da política social, em que instituições comuns têm sido criadas e os Estados-membros cooperam em prol da aplicação de suas políticas. Apesar de sua existência ainda recendente, a União das Nações Sul-americanas (UNASUL) já vem adquirindo uma posição importante na cooperação interestatal. Ela se tornou, comprovadamente, um instrumento na solução de conflitos regionais e ganha destaque na coordenação de políticas setoriais como segurança e energia.
Apesar desses esforços recentes, a chamada integração dos povos sul-americanos, com reflexos na cultura, nas artes, na educação, ainda está aquém do desejado pelos atores sociopolíticos progressistas da região. Junto a outras fundações presentes no América-Latina, a FES-Brasil auxilia o diálogo de diferentes atores políticos em questões como: política de segurança e energética, integração regional, política comercial e relações sociais e de trabalho, Especial relevância é dada ao fortalecimento de instituições regionais e à participação da sociedade civil no processo de integração.

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